As inéditas de Edu Lobo
Quando um mestre da música brasileira lança um disco, a atenção tem de ser redobrada. Esse é o caso de Edu Lobo, que apresenta “Tantas Marés”, um álbum com seis composições inéditas feitas a quatro mãos com Paulo César Pinheiro. O CD conta ainda com quatro releituras de canções suas em parceria com Chico Buarque e tem como convidada a cantora Monica Salmaso, na faixa “Primeira Cantiga”.
O disco mostra um compositor um tanto quanto centrado em sua própria obra e sem energia para buscar novos rumos. Isso não chega a ser um problema, já que Edu Lobo criou um estilo peculiar de fazer bossa nova. Seus arranjos trouxeram um equilíbrio entre o jazz norte-americano e os arranjos silenciosos do samba de João Gilberto.
O músico continua sendo o compositor requintado que todos conhecem, mas infelizmente o aneurisma que sofreu em 2004 parece ter afetado sua voz.
Isso fica nítido no álbum, pois seus vocais parecem não se encaixar de forma certeira nos arranjos criados por ele e Cristóvão Bastos. Realmente uma perda, já que a harmonia entre vocais e arranjos era uma de suas marcas.
Outro ponto que enfraquece a obra são as releituras. Não existe necessidade de regravar uma música como “Ciranda da Bailarina” (recentemente interpretada por Adriana Calcanhoto) e “A Bela e a Fera”. Uma obra menor, mas de um artista que merece todo respeito.
Vale a pena ouvir de novo:
“Edu&Bethânia”
(1966)
No final dos anos 1960, Maria Bethânia se encontrava no auge da carreira e já era considerada uma das maiores vozes brasileiras. A parceria comL obo foi certeira. Destaque para “Cirandeiro”, “Pra Dizer Adeus” e “Só me Fez Bem”.
“Edu&Tom”
(1981)
Uma das melhores parcerias da música brasileira. O disco marca a reunião de duas gerações da bossa nova,representadas por Lobo e Tom Jobim. Destaque para as canções “Chovendo na Roseira”, “Moto Contínuo” e “Luiza”.
Revista da Hora, 14 de fevereiro de 2010
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