Cinema no improviso

8 Abr

profissaomc01

Por Marina Yakabe

O Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, entrou no mapa do cinema. A história começou a se desen-rolar quando Alessandro Buzo, morador da região, escritor e apresentador do quadro “Buzão – Circular Periférico”, do “Manos e Minas” (TV Cultura), mostrou um roteiro a Toni Nogueira, que abraçou a ideia.

Com uma pequenina e guerreira câmera full HD -usada em quadros como “Buzão” e “Domingão Aventura”, que Nogueira apresenta no “Domingão do Faustão” (Globo)-, nasceu “Profissão MC“, com argumento e roteiro de Buzo e direção dele e de Nogueira. Sem patrocínio e muita camaradagem, eles contam a história de um rapper, vivido por Criolo Doido, que se vê diante de duas possibilidades: o crime ou a música. Boa parte da narrativa se passa na favela do D’Avó, na avenida Marechal Tito.

No último dia 21, acabaram as gravações, acompanhadas pelo Agora, do que deve se transformar em um média-metragem -com até 54 minutos- a ser lançado em agosto, de graça, na internet. A história em si, das dificuldades da vida na periferia, não é novidade, mas a alma de “Profissão MC” está nos recursos para contá-la. Com o rap como pano de fundo, o filme, se fosse uma música, seria “freestyle”, com Buzo à frente do microfone. Boa parte dos “atores” que fizeram pontas foi escalada por ele na hora, passando por acaso pelos “sets”.

E aí valia a imprensa, um morador da favela do D’Avó e o sujeito que limpa vidros dos carros em troca de dinheiro no semáforo. “Não sei, tô há três dias na rua. Acabei de sair da cadeia”, diz um ao ser convidado. “Então vem para o cinema”, fala Buzo. Aí era só gravar, sem muito ensaio.

“Nos anos 70, havia uma turma que, como eu, estava exilada, e nasceu o cinema ‘Udigrudi’ [espécie de cinema marginal, com produções de baixo custo]. Eu quis trazer aquela estética para a atualidade”, diz Nogueira. Os personagens com papéis maiores são, em sua maioria, amigos de Buzo. Há anônimos e famosos como Rappin’ Hood. Do hip hop paulistano vieram, entre outros, o protagonista. “Pensei em vários nomes, aí cheguei no Criolo Doido, que é um cara conhecido, mas ao mesmo tempo acessível”, fala Buzo. Rapper na vida real, Criolo é o organizador do tradicional evento Rinha dos MCs. Enquanto a história tem como fio condutor as possibilidades do personagem, Buzo, com o filme, também acredita abrir caminhos. “Filmando na periferia, com os moradores participando, espero mostrar que existem possibilidades.”

[Fiz as fotos (tem mais aqui) para essa matéria com a Marina, subeditora do caderno Show.]

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Uma resposta to “Cinema no improviso”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O Groove de 2009 « - 31/12/2009

    […] total, e viva a boa música sob a tutela de quem conhece, Daniel Tamenpi. Outro guerreiro do rap, Alessandro Buzo fez na raça e na coragem um filme sobre o assunto, “Profissão MC”, com Criolo Doido mandando muito bem no papel principal. E do Rio de Janeiro veio o EP do Akira […]

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