Mos Def – The Ecstatic

5 Jun
Dante Terrell Smith

Dante Terrell Smith

Quando o Radiohead veio para o Brasil todo guia da semana disse que era o investimento mais seguro de se fazer. Era grana gasta com a certeza de que o retorno viria. Essa é exatamente a mesma sensação que se tem quando se começa ouvir “The Ecstatic” (O Extático) o novo de Mos Def.

Extático (com x mesmo, não confundir com estático) também significa estar em estado de êxtase, e parece que hoje não existem tantos artistas que valha ouvir e parar para ouvir tudo com calma, não é todo mundo que tem tanta coisa para falar, Mos Def (Dante Terrell Smith) tem e sabe como. Seu novo disco tem até uma faixa onde o rapper canta em espanhol e mostra que não existe diferença de língua para a qualidade. Mas alguém ainda pensa assim?

Sobre “The Ecstatic”. Bem, canções como a ótima “Quiet Dog Bite Hard”, mostra porque o investimento é certeiro, essa é fácil uma das melhores do ano. Bom ver que mesmo em um período onde a política está tranquila nos Estado Unidos ainda tem gente como Mos Def que briga por justiça em todos os segmentos da sociedade. Essa faixa chegou a circular pelos blogs de rap da gringa. “No Hay Nada Mas” é quando manda sua rima em espanhol. Engraçado que seu estilo ainda é forte, mas seu sotaque é brasileiro. Pode ser que isso venha do fato de suas bases serem ligadas diretamente ao Brasil. Analisando de outro ponto de vista é o seu apoio ao preconceito que rola ainda lá fora contra os Mexicanos, o homem não dá ponto sem nó.

“Revelations” é uma produção sinistra de Madlib, impressionante como a base casa com perfeição na musicalidade do rapper. Provavelmente sua experiência com o cinema ajudou ele a desenvolver ainda mais sua versatilidade vocal.  “Roses” com participação na medida de Georgia Anne Muldrow, é outro bom momento. Curioso que assim como Q-Tip teve o cuidado de colocar um nome feminino como Amanda Diva no seu disco, Mos Def também viu as possibilidades de colocar um novo nome no mercado.

Dante Terrel ainda faz menção honrosa a outro bom disco de 2009 “Born Like This” de MF Domm. A faixa “Auditiorium” com  participação de Slick Rick mostra isso. Grava com o parceiro Talib Kweli, “History”, é uma homenagem póstuma a J-Dilla. Fecha com sotaque brasileiro e a já falada de monte por aqui, “Casa Bey”.

Realmente Mos Def ainda tem algo pra dizer, mas não fica falando isso na sua música, ele não precisa disso. Quem tem algo a dizer não fica falando que tem.

Candidato a disco do ano. Boogie Man!!

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3 Respostas to “Mos Def – The Ecstatic”

  1. fergie-J 05/06/2009 às 23:31 #

    acho ótimo os artistas como Mos Def estarem investindo em outras linguas de sua cultura

  2. Bárbara Bolaños 15/11/2009 às 16:31 #

    Mos Def eh um cara de atitude e eh foda nas rimas que faz e só faz as musicas com os rappers mais fodas tbm… Show dia 6 no sesc de Santo Andre… eu vo vai ser Loco!

Trackbacks/Pingbacks

  1. O Groove de 2009 « - 31/12/2009

    […] Jay-Z é o “patrão” da atualidade, Mos Def é o operário revoltado da indústria fonográfica. Os discos que os dois lançaram mostram o rap norte-americano dividido claramente […]

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