Stereodubs – Promo EP

6 Ago

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Três novas cantoras foram capas da Ilustrada, em um bom texto tratando do assunto. Sempre me questiono: por que toda a produção brasileira fica nas mãos dos mesmos Bonadios, Liminhas da vida? Recentemente dois discos fizeram com que mudasse essa visão sonora das coisas. DJ Dolores e o pessoal do Stereodubs com o “Promo EP”, que colocaram na rede.

EP

O disco abre com a mistura do tempero certo de Pump Killa cantando “Estilo Original”,  uma disparada dançante. A música resume tudo “eh nois tamo no caminho certo”, sabias palavras Mr Killa. Sobre “Pai de Família”, já falei, mas ainda pergunto. Como não pode fazer sucesso uma música dessas?

“Ritos” é uma das melhores, africana na sua plenitude, no nível de um “AfroSamba”, para a alma negra de Vinicius e Baden vibrarem. De volta ao começo da conversa. Falei por e-mail e msn com Leonardo Grijó, e, pela conversa, é fácil perceber que tem gente que sabe o caminho das coisas, falta só o mercado tradicional brasileiro deixar de lado uma superioridade que já não pode existir mais.  Vamos à conversa, e quem sabe uma hora não muda?

ENTREVISTA

Groove Livre: As histórias de vocês alguns já conhecem, mas vale falar um pouco de como chegaram em São Paulo. Como foi essa trajetória até aqui?

Leonardo Grijó: Bem, o LX já tem uma estrada no hip-hop já faz um bom tempo. Já é o DJ mais conceituado no nosso Estado (Espírito Santo) e já produziu pra muita gente boa de lá. Também foi o produtor do riddim “Victory”, que já tem mais de 50 versões cantadas pelo mundo afora.

Já eu tenho quase 10 anos que moro em São Paulo, tocava em uma banda de reggae (SalvAÇÃO), depois me embrenhei pela trilha sonora; fazia LIVE’s P,A com meu antigo projeto em raves, e agora tô aqui no StereoDubs. A nossa junção se deu pelo fato de sermos amantes do reggae e também do hip-hop.

GL: A proposta musical do Stereodubs é algo que rompe algumas fronteiras, tem elementos variados no EP Promo. Essa é a ideia? Mixturar tudo sob uma ótica reggae? ou ragga, Não sei como definir. Melhor ainda. Definam essa sonoridade?

LG: Bem, a nossa sonoridade é uma mistura das nossas influências. Beats de MPC, timbres que variam desde o trance, até levadas do reggae, vocais com efeitos, reverbs, delays… tudo o que a música eletrônica, o reggae e o hip hop podem nos oferecer.

GL: No EP tem dancehall, ragga, rap, tudo…qual o futuro da música???

LG: O futuro da música está aqui, e também está aí, está em todo lugar.

É um desprendimento, mas também em torno de uma identidade. E fazermos o que temos que fazer, dentro da nossa liberdade, seja produzindo em um grande estúdio, ou numa sala de um apartamento (esta PROMO foi produzida dentro de uma). É claro que no nosso caso, um tanto de estudo nos ajudou a dar qualidade ao nosso projeto.

GL: As participações no EP são de artistas de alto nível como Flora Matos, Mr. Pump Killa, Arcanjo Rãs só pra citar alguns. Como rolaram essas parcerias?

LG: Pump Killa, Arcanjo, Sambatuh e Jimmy Luv são nossos camaradas já fazem uma data. LX já conhecia a Flora das batalhas de Mc’s.

Mandamos os riddims pré-produzidos pras pessoas às quais faziam o style das nossas produções, e assim fomos gravando aqui no nosso Q.G.

GL: Essa semana conversei com o DJ Dolores e fiquei pensando…Por que artistas como ele e como vocês não estão produzindo mais artistas de renome na música brasileira? Vocês não acham que tá tudo muito parada e isso faz com que determinados gêneros da musica brasileira não consigam evoluir? Particularmente acho que a MPB deveria ter uma injeção de animo, só consigo ver um pouco disso no trabalho da Céu por exemplo.

LG: O lance é o seguinte… muito do que acontece atualmente se deve ao fato da classe dos produtores em geral (falo isso em relação a uma boa galera que estudou -o que é autodidata- enfim muita gente nova no pedaço) está começando a ser valorizada.

É uma geração que tá vindo com esta pegada de trabalhar com o que é “old”, porém num contexto contemporâneo (e-music).

Acredito que esta seja a consolidação da “era dos produtores”. Mas não devo esquecer de que todo êxito se deve a uma boa interação entre quem produz e quem é produzido.

GL: Qual o próximo passo? Disco, produção? O que o Stereodubs anda criando nessa cidade cheia de fumaça?

LG: Estamos aí, na produção direto. Mixando nossas músicas que estarão no CD que sairá até outubro. E também estamos nessa de produzir pra outros. Já tamo produzindo o disco do Príncipe Messias (reggae), num propósito bem “nu-roots”; e preparando nosso LIVE P.A e DJ Set pra tocarmos nos picos por aí, né… o lance é estarmos nesta caminhada de produzir e mostrar o nosso trabalho.

(O “Promo EP” tá pra baixar é só pegar aqui)

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