A comunicação e o hip hop

25 Ago

comunica_hip hop

Como faço regularmente, passei para olhar os blogs que acompanho, entre ele o Per Raps, um dos blogs de que mais gosto, e me deparei com esse texto sobre Hip Hop e comunicação. Muito boa a discussão.

Sou da mídia tradicional também, como alguns de vocês já sabem, e resolvi falar algumas coisinhas. Não vou defender ninguém do meio, podem ficar tranquilos. Mas existe também um problema sobre os quais as pessoas precisam tomar conhecimento. Que é o fato de que nem todo mundo tem a obrigação de saber de tudo, e jornalista também é um empregado, que tem de ganhar dinheiro pra sobreviver e tem de escrever de tudo para isso. Então a especialização fica difícil e acaba sendo para poucos.  Tudo bem que tá cheio de indie achando que é gênio na grande imprensa, o que é um saco, mas fazer o que? Renegar a comunicação em detrimento desses é fugir da batalha também, é o mesmo que ficar posando de coitadinho, coisa que o rap condena.

No decorrer da minha carreira profissional, fui um dos que viu a história do rap passar na minha frente, e aproveitei para aprender com isso. Assim como vi a história do Mangue Beat se formar. Lembro exatamente o dia que o Matias (Trabalho Sujo) me chamou pra fotografar e conversar com os caras. Almoçamos e conversamos em uma padaria próxima da Paulista com Chico Science, Jorge Du Peixe, Lucio Maia e toda a Nação Zumbi. E é aí que entra o ponto, as pessoas ali falavam e queriam explicar mais o que estavam pensando. Afinal, os ideais que eles queriam passar era muito mais importante que o ego. Por isso (e por varias razões) Nação Zumbi se tornou a melhor banda da música brasileira, hoje acho que eles superaram até Mutantes, acho, não, tenho certeza, mas isso é outra história.

O que quero dizer é que quem não comunica realmente se estrumbica, como disse Gil Souza no Programa Freestyle que falou sobre o assunto. E se alguém da grande mídia não entendeu a mensagem, ela tem de ser dita e explicada para que as pessoas entendam. Achar que é uma obrigação todo mundo entender tudo sobre um assunto é um exagero. Existe, sim, uma falta de informação maior dos jornalistas das grandes mídias, mas existe uma preguiça grande das pessoas em informar mais.

Na minha humilde opinião, “informação” é algo de domínio publico e todo mundo tem de ter acesso, não adianta ficar guardando e pensando que “eu sei e não vou explicar pra ninguém”, isso é andar pra trás no meio de tanta informação.

Bom, acho que falei demais, mas é apenas mais um pequeno ponto de vista numa discussão muito grande, e quero entrar nesse debate, sim. Parabéns, e recomendo o Programa Freestyle, vale ouvir, pela seleção musical e pelas ideias.

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3 Respostas to “A comunicação e o hip hop”

  1. DJ Cortecertu 25/08/2009 às 16:27 #

    Idéias muito bem elaboradas. conheço o cotidiano de alguns jornalistas e minha visão vai ao encontro da sua. Xico Sá disse há milianos: “antes, quando se falava de rap na redação, as pessoas riam”. Atualmente, vejo uma geração de jornalistas que têm um olhar mais atento para o rap brasileiro, seja na mídia tradicional, seja em blogs. Como vc afirmou – “informação” é algo de domínio publico e todo mundo tem de ter acesso – a simples exposição das rotinas de uma redação também ajuda a entender os meandros do jornalismo…

  2. Eduardo Ribas 25/08/2009 às 18:13 #

    Fico feliz em ler esse seu texto, Serjão!

    Ele realmente contempla uma das necessidades do hip hop, mais especificamente a do rap, em expor seus pensamentos, assim como vale o contraponto de mostrar o fato das grandes redações estarem cheias de “indie(s) achando que (são) gênio(s) na grande imprensa”.

    Como bem disse o Dj Cortecertu, é importante que os grupos conheçam a rotina das redações. Enviar material faltando informações básicas, textos em caixa alta ou CD’s direcionados para a “redação” ou para a editoria de “cultura”, não vão garantir sucesso. Nesse ponto, cabe aos que conhecem essa rotina saber expor isso e os que querem divulgar seus trabalhos naquele meio, saber ouvir.

    Além disso, tem a velha preocupação do rap ter ficado por demais na internet. É o meio mais acessível para todos divulgarem seus trabalhos? Sim, mas sabemos que no Brasil nem todos têm acesso fácil aos pc’s e, quando conseguem, acabam passando tempo demais em sites de relacionamento ou em algum bate-papo virtual. Por outro lado, a cada dia deixa de existir uma publicação impressa no mundo. O que fazer?

    Ao meu ver, as idéias e contrapontos estão ai, basta sabermos o que fazer com isso.

    Um salve em nome da equipe do Per Raps!

    Fica na paz.

  3. Diego Zanchetta 31/08/2009 às 20:11 #

    Serjão, fica esperto no filme “Salve Geral”, sobre os ataques do PCC em 2006…..tem uma trilha sonora du caralho e mostra um pouco da perversidade da polícia naquele período, quando mais de 600 pessoas foram mortas nas quebradas, muitos inocentes por sinal………

    abraços irmão

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