Revista da Hora (DJ Dolores)

28 Ago

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Mistura que vem do Recife

Helder Aragão, mais conhecido como DJ Dolores, veio com todo o movimento mangue beat, mas seu caminho foi outro. Ele,que se tornou um dos artistas brasileiros mais respeitados fora daqui, acaba de lançar seu terceiro trabalho, “1Real” (ArterialMusic). O disco foi lançado no ano passado na Europa e nos EUA e é uma compilação de sonoridades do mundo todo. “Hoje fica difícil definir o que é música ruim ou boa. Na verdade, e música e pronto”, diz Dolores.

Nesse trabalho, o DJ consegue mostrar que é um dos produtores mais interessantes da atualidade. “1Real” é um emaranhado de sons,que vai do tecno brega à música eletrônica, passando pelo rock. Tem ainda sons jamaicanos, principalmente o dub e a dancehall. O melhor é que Dolores consegue fazer tudo isso centrando sua sonoridade na origem pernambucana. “Fiquei distante dos grandes centros por uma opção pessoal mesmo”, explica.

“Ficava dois ou três meses fora do país, conseguia uma grana e voltava para Recife e ficava por aqui mesmo”. A faixa “J.P.S.” é um bom exemplo. “Transita entre o forró e a dancehall, mostrando essa conexão forte que existe entre o Nordeste e a Jamaica. Quem canta é Silvério Pessoa, um dos grandes intérpretes da nova geração de Recife”, explica o produtor. Deve existir algo em Pernambuco que faz com que os artistas de lá sejam tão criativos.

Revista da Hora, 26 de julhode 2009

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Depois dessa coluna, ainda falei um pouco com Helder sobre o disco, mas acabou ficando de fora. Segue a entrevista por e-mail com ele. Sempre bom ouvir uma pessoa como DJ Dolores falando de música.

BÔNUS: ENTREVISTA

Groove Livre: Nos agradecimentos vc faz uma homenagem as “canções toscas vendidas nas carrocinhas de camelô”. Primeiro que é fantástica essa citação. Existem pessoas que dizem que o mercado informal é o melhor meio de se distribuir musica, pelo menos no Brasil. O que você acha disso?

DJ Dolores: Certíssimo!! Os caras criaram um sistema super eficiente, capaz mesmo de dar suporte a bandas do porte de um Calipso que, na origem, é fruto dessa informalidade.

GL: Fiquei com uma duvida sobre o que vc falou e não queria escrever errado. Você disse algo sobre não existir mais o que é uma musica boa ou ruim, é isso mesmo???

DJ: Sim. Eu quis dizer que sempre tem algo interessante em qq música. Seja um timbre, uma riff, um achado melódico ou mesmo como soa por causa do jeito que foi produzida. Um bom ouvinte sempre vai descobri algo bom numa gravação.

GL: E a pergunta obvia que esqueci….Por que “1 Real”?

DJ: É uma referência a música barata, dessa de carrocinha de camelô, feita em estúdio caseiro…

GL: O mercado fonografico brasileiro insiste nos mesmos produtores desde os anos 80, você percorreu o mundo todo, e sempre surge um novo por lá, ou comercial demais ou experimental demais. Você poderia muito bem ser uma boa opção no meio da mesmice que impera por aqui. Você já pensou em produzir artistas daqui? Já recebeu convite?? Estou falando de gente grande mesmo que está acomodado no que já fazem.

DJ: Já fiz remixes para Tribalistas, Gilberto Gil, Chico Buarque, Marina Lima… mas convite para produzir nunca houve.

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Uma resposta to “Revista da Hora (DJ Dolores)”

Trackbacks/Pingbacks

  1. O Groove de 2009 « - 31/12/2009

    […] em seu “Atlântico Negro”. E teve até meu “amigo” Benito Di Paula, sem falar no DJ Dolores (responsável por um dos melhores discos esse ano, mas que, na verdade, é de 2008). Enfim, Recife é demais. Tem algo na fumaça de lá, […]

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