Base do Baú – Live! (1971)

14 Out
Fela Anikulapo Kuti e Peter Edward Baker

Fela Anikulapo Kuti e Peter Edward Baker

Semana especial Fela Kuti. Para começar a comemoração, “Base do Baú” dedicada ao nigeriano Fela Anikulapo Kuti. O disco escolhido para isso é o ao vivo gravado com o inglês Ginger Baker, baterista do Cream – banda dos anos 1960 que tinha Jack Bruce no baixo e o genial Eric Clapton na guitarra. Em sua história Baker sempre foi um instrumentista que gostava de pesquisar a sonoridade africana.

O trabalho que leva a simplicidade somente no nome “Live!” é resultado de uma viagem (em todos os sentidos) de Ginger pela África em busca de novos ritmos. Isso na década de 70. Nesse período Fela Kuti se tornou referência mundial e Ginger Baker uma celebridade roqueira.

O resultado dessa viagem ficou registrado nesse disco com a banda The Africa 70 em apenas quatro musicas (mais tarde sairia uma edição especial com uma jam session que incluía além de Baker e Kuti, Tony Allen outro mostro nas baquetas e mestre do Afrobeat. No Soulseek é fácil encontrar essa faixa com 16m20 aproximadamente, batucagem geral, no tempo certo.

“Let’s Start” abre o ritual com um naipe de metais pra levantar qualquer ser humano do chão. Era a celebração da vida e dos ritmos negros que estavam no sangue do inquieto Anikulapo Kuti. Por sua vez Ginger Baker queria experiências, e não bastava somente as lisérgicas, ele queria ligar os ritmos as reações e experimentos com as drogas possíveis e imagináveis. Baker era o William S. Burroughs (escritor, pensador do movimento beatinik, pintor e crítico social autor de “Almoço Nu”) da bateria.

“Black Man Cry” é uma faixa poderosa e entra na praia que Fela gosta que é a de transcedenter o espírito e a música com uma bandeira política racial no fundo, era um tapa na cara do racismo que existia na época. “Ye Ye De Smell” é outra Jam session que foge da forma tradicional de se fazer música. A linha condutora da obra é o Hammond de Kuti e a bateria de Baker cadenciando a celebração do nigeriano. Aqui, novamente os metais são destruidores.

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2 Respostas to “Base do Baú – Live! (1971)”

  1. juka 14/10/2009 às 20:28 #

    Genial o texto. Parabéns Serjão.

    Fela Vive!, mais do que uma homenagem é o reforço ao brado contra o racismo, o capitalismo e pela liberdade.
    Liberdade tanto na música quanto na política. O monstro Fela Kuti é o responsável por alterar o mapa-mundi da música, pois incluiu a sofrida Nigéria na lista de países que contribuíram com qualidade exemplar para a evolução de corações e mentes.
    Baker foi o Burroughs da bateria e o Fela foi o Che e o Hendrix do Afrobeat.

    Salve Serjão. Salve Fela

  2. gi 15/10/2009 às 0:02 #

    meia noite e m – nas caixinhas: expensive shit!

    yeah! fela vive!

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