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O Chororô do Cabal

22 Set

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Em uma enorme entrevista, Cabal falou para o Central Hip Hop. Um bate-papo interessante, um pouco longo demais pro meu gosto, mas interessante. Uma das melhores partes é quando Cabal fala sobre o “boicote” (sic) da mídia alternativa a ele e critica esse novo momento do gênero, relacionado a uma rapaziada que começa a aparecer mais do que ele mesmo no meio do rap nacional.

“Sim, a mídia alternativa e a mídia, de uma maneira geral, desprezam o Rap pop (…) Eu acho que, se falassem da ‘nossa cena’, ela cresceria mais e o Rap cresceria junto, abrindo portas inclusive pro Rap alternativo”

Agora olha quem faz parte da “cena”.

“Eu nunca vejo entrevistas com Bomba, Jacksom, Thaide, SevenLox, Don L, Souldarua, Tulio Dek entre outros artistas que fazem um Rap mais pop, por quê?”

Depois Cabal critica a TV Cultura e o programa “Manos e Minas”, apresentado por Thaide, que, segundo ele mesmo, faz parte da “cena”.

“Pensem comigo, o ‘Manos e Minas’ é o único programa de Rap na TV brasileira, na Cultura, que deveria abrir espaço pra todos os estilos de Rap, então porque só vão artistas de Rap alternativo? É uma panela e como eu falo na música ‘Sem Drama’, tenho planos e rimas, mas eu não sou amigo de quem tá lá em cima, alô, direção da TV Cultura, essa situação tá ficando ridícula”.

Scooter Smiff, com 13 anos certamente faz uma rima melhor do que essa.

Cabal não deveria se preocupar em aparecer na mídia alternativa ou na grande, deveria se preocupar em fazer um bom trabalho, só isso. Além do mais ele foi contratado em 2006 para lançar um disco pela toda poderosa Universal e não conseguiu nem fazer um pouco de sucesso ou conquistar o mínimo de espaço.

Imaginem que nesse período as grandes gravadoras já estavam em crise e não queriam investir em ninguém no Rap para correr riscos. Nomes como Racionais, Rappin Hood, Marcelo D2  já estavam consolidados  em seu próprio mercado. As gravadoras queriam algo novo.

Restava, então, investir em alguém com potencial comercial, veio a idéia de pegar Cabal, pois ele tinha se saído bem no Motiro, com a descartável “Senhorita”. Por que não fazer um estilo 50 Cent com esse garoto que gosta de fazer cara de mal?  Veio o disco “Prova Cabal”, um fiasco. Até tinha gente boa na produção, mas o resultado final foi um desastre. Novamente o Rap não conseguiu entrar no mercado, e o mercado errou novamente na escolha.

Não existe isso de rap pop ou rap alternativo, até deveria existir, mas dizer que gente como Cabal representa o rap pop é não dar uma chance do rap pop ser bom. Imaginem que, na gringa, o rap pop é feito por gente como Jay-Z, que está antenado com o que acontece no mundo. Como Kamau. E Cabal? Está falando sobre o que? Sobre o porquê dele não aparecer na mídia alternativa. Pelo menos D2 gosta de falar que tem algo a dizer, nem isso Cabal tem pra dizer.

“Essa é pra você Primo!!!”

10 Set

O Emcida disse tudo aqui, só tenho a dizer que estava nesse show, e foi emocionante.

O Triunfo de Emicida

3 Set

Como era de se esperar, e nada mais do que merecido, o clip da música “Triunfo” do Leandro, o Emicida, está concorrendo a clip do ano. Boa noticia!

Sobre o vídeo já falei um pouco no Noiz, bem aqui. No sabadão coloco mais um pouco da conversa com ele, na já consagrada “Filipeta do Dia”.

Bom também ver todo mundo falando sobre ele, gente importante e que eu respeito muito, como meus parceiros Matias no Trabalho Sujo que mostra o clip e fala sobre “Emicida e a poesia do século 21”. Tem também o sempre bem feito e atento Urbe de Bruno Natal que fala sobre o rapper em um bom texto, como sempre.

Fico feliz de ver que a história de Leandro Roque de Oliveira começou a ganhar forma e força em pequenos blogs como esse que você está lendo. Prova de que o rap nacional pode viver, e muito bem, com a ajuda da internet. Está na hora da mudança. Ainda bem!

Parabéns Leandro. A rua é noiz e o “Triunfo” é todo seu.

Rincon Sapiência – Hole Club (11072009)

14 Jul
(Foto: Janaina Castelo)

(Foto: Janaina Castelo)

A intensa elegância da favela

por Gisele Coutinho

 Em uma sequência de rimas pouco conhecidas (por enquanto) pelo público do hole club, Rincón Sapiência fez uma apresentação histórica. Pena que muita gente não viu, mas tive o prazer de presenciar o bom feito do MC. Na minha humilde opinião de expectadora do rap, foi o show mais “favela” que vi no hole club e um dos mais intensos.

O destaque maior da apresentação, mesmo com a qualidade do som nada perfeita e com graves e agudos altos demais, a ponto de não dar para entender muito bem as rimas de Rincón (este sem dúvida é um dos maiores problemas hoje em dia no rap nacional, pelo menos é assim em São Paulo: a falta de estrutura das casas de shows), mas nada que prejudicasse a malandragem, a presença de palco e a alegria da noite.

“Lotação, busão, metrô, trem, carona” balançou a galera, que sabia cantar e se empolgou. A noite foi fechada com chave de ouro, com cerca de vinte manos no palco, ao som de Elegância.

Só não dançou e cantou quem não quis.

 (O texto é da intensa e sempre parceira Gisele “Kriola” Coutinho. A foto ficou por conta de Janaina Castelo, que está registrando momentos importantes do rap nacional, parabéns)

Black Star Brasil

2 Jul

Emicida e Kamau no show de Marcela Bellas rimando em “Será que Caetano vai gostar?”.

O rap nacional pode ajudar a tentar salvar a MPB que se encontra em estado terminal.

Lá fora é Mos Def e Talib Kweli. Por que aqui não pode ser Kamau e Emicida?

Emicida 02 – Hole Club (20062009)

24 Jun
(foto: Janaina Castelo)

(foto: Janaina Castelo)

Senhor soberano

por Juka

Noite histórica em Sampa para quem curte hip hop, no último sábado fui um dos muitos felizardos que puderam assistir no Hole Club o show do Emicida.

Fazia tempo que eu não sentia uma vibração tão boa numa balada de hip hop. O público ilustre e animadíssimo balançou do ínicio ao fim da apresentação do MC que mostrou as músicas da mixtape “Para quem mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe”.

A galera chegou cedo, nem era meia noite e a multidão já estava a mil se deliciando com o talento arrasa-quarteirão do DJ Dan Dan.

Enquanto o show não começa, o carismático Criolo Doido empunha o mic e convida a rapá para a Rinha dos MCs. Uma edição especial da tradicional festa de batalhas, verdadeira peneira de MCs vai começar. Hora de deixar todos os problemas de lado e cair de cabeça na balada.

O próprio Emicida circulava no meio da massa, tranquilão com o irmão Evandro, cumprimentando os camaradas. Quem via aquele garoto magrinho com andar gingado no meio da rapá não podia imaginar que em pouco tempo ele estaria no palco metralhando rimas atrás de rimas.

Lá em cima o Emicida está em casa. Senhor soberano dos beats e dos versos cortantes, o campeão incontestável da Rinha dos MCs, conseguiu provar que o repertório da excelente mixtape ganha mais peso e brilho ao vivo.

O triunfo mesmo é o sorriso no rosto da rapaziada. É isso que eu tenho a dizer.

(O texto foi do parceiro Juka que conhece muito de musica, e principalmente, sabe reconhecer uma de qualidade)

Emicida 01 – Metrópolis

23 Jun

O que foi o show de sábado do Emicida?

Sensacional!

O Metrópolis fez uma bela matéria sobre o rapper, com imagens do show. Provando que é a melhor revista de cultura da atualidade, pelo menos tem cultura.

Mais tarde tem um belo texto do Juka sobre o show, mas já já.