Tag Archives: Radiohead

Aquecimento 02

9 Mar

Bela foto, simples e bela. Fazer um bom retrato não é uma coisa tão simples assim. A relação entre quem está sendo fotografado com quem está fotografando tem que ser muito boa, principalmente para pegar momentos como esse entre Mr Richards e o guerrilheiro Tosh. Fora que a fumaça no local devia ser a melhor possível.

Sempre gostei mais dos Stones por ser uma empresa muito bem administrada pelo senhor Jagger, que soube usar toda a loucura de Richards a seu favor.

Certa vez me perguntaram se eu queria fotografar a guerra. Não, prefiro a paz.  Quem sabe a turnê do Radiohead, Stones ou qualquer bandinha de reggae por aí, eu acho melhor do que ir pro Iraque ver gente morrendo por causa de petróleo, ou de um santo qualquer, mas cada um cada um. Só acho que hoje falta algum tipo de postura política nos fotógrafos na hora de fazer a imagem, se fotografia é escrever com a luz então vamos tentar ir além do óbvio.

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O Groove de 2009

31 Dez

Arte: Edson Lopes

Chega ao fim a primeira década dos anos 2000. Vou tentar fazer primeiro um pequeno balanço do que foi 2009. Claro que vai faltar muita coisa, mas lembrar algumas já ajuda. Teve Geisy Arruda (do outro Arruda nem vale lembrar) mandando muito bem no seu vestidinho vermelho. Deu trabalho, mas não mais do que as chuvas que ferraram bem Sampa, a terra da garoa virou um pantanal de água.

Então vamos de groove:

Michael Jackson

Nenhuma notícia chamou tanta atenção quanto a morte de Michael Jackson. O Rei do Pop fez sua passagem e passa a ter o status de divindade. Ficaram sua música e sua magia, que realmente é o que importa. Na minha opinião, ainda não nasceu seu substituto, mas logo aparece.

Os Brazucas

Ano muito bom para o rap nacional, que deixou a postura sisuda de lado e resolveu mostrar sua nova cara. Não tem cabimento hoje, no Brasil, fazer música pop (afinal, hoje, o rap é o pop) achando que tem de ficar restrito a meia dúzia de pessoas. Emicida começou toda essa história com o lançamento de sua mixtape. Chegou a ser indicado no sonolento VMB 09, apareceu até nos “jornalões”. Rompeu as primeiras fronteiras, falou com os jornalistas de forma clara e sem a ideia fixa de que os profissionais da área só escrevem besteiras. Até escrevem, mas não são todos, e se ninguém falar, como transmitir sua ideia? Até universitário que não consegue batalhar por mais nada, além da carteirinha de estudante, sabe disso. O objetivo tem que ser maior.

O rap nacional começou a falar mais e a aparecer mais. Mano Brown foi capa da Rolling Stone. A matéria – uma das melhores do ano – mostra a nova fase em que o cantor se encontra, tentando mudar sua imagem. “Não posso ser refém de nada, nem do rap. Aquele Mano Brown virou sistema viciado”, disse Pedro Paulo ao jornalista André Caramante. Ainda nos Racionais, KL Jay foi o lado musical que mais se exercitou. Nos toca-discos ele teve um encontro com DJ Marky e outro com o Patife, as ligações começam a ser feitas, espero que venha mais coisa boa pela frente. Sobre o novo disco dos Racionais, quando vazaram umas músicas do projeto com a Banda Black Rio, todo mundo ficou empolgado, mas não era nada do grupo. Falam que o disco está previsto para o meio do ano, mas vamos esperar com calma.

Outra mixtape que deixou aparente os rumos a serem percorridos pelo rap veio das mãos de Flora Matos, em parceria com o Stereodubs. Tão importante quanto a do Emicida, mas com a vantagem de mostrar novos caminhos musicais. De quebra, o Brasil descobre uma nova (e boa) cantora e compositora de rap, ou melhor, de música brasileira. Já o grupo Pentágono foi destaque com dois belos clipes, dirigidos por Pedro Gomes, responsável também pelo documentário “Freestyle: Um Estilo de Vida”. Destaque também para o diretor Fred Ouro Preto, que foi indicado pelo seu clipe de “Triunfo” e fez um bom trabalho com o primeiro vídeo do Kamau (Só – Remix), que, por sua vez, teve um fim de ano agitado com música inédita e estréia no universo dos clipes – até então ele aparecia somente em vídeos de skate. Acaba despertando a curiosidade pelo que vem por aí.

Há, ainda, a música “Elegância”, de Rincón Sapiência. Tocou em toda festa boa que rolou nesse 2009 e fez muita gente dançar. O Só Pedrada Musical acabou, mas voltou com força total, e viva a boa música sob a tutela de quem conhece, Daniel Tamenpi. Outro guerreiro do rap, Alessandro Buzo fez na raça e na coragem um filme sobre o assunto, “Profissão MC”, com Criolo Doido mandando muito bem no papel principal. E do Rio de Janeiro veio o EP do Akira Presidente, rapper que é uma das boas promessas para esse ano que chega (o MC colocará seu álbum oficial nas ruas no primeiro semestre), assim como Funkero. Dois bons nomes vindo pra selva via ponte área, aaahh, meu Rio de Janeiro!

Aliás, da cidade maravilhosa veio um dos melhores documentários do ano “Dub Echoes”, do guerrilheiro Bruno Natal.

Continuando, o veterano João Bosco lançou um belo disco voltando com a parceria de Aldir Blanc. Agora, o melhor foi mesmo João Brasil, que colocou na praça uma bela amostra de seu trabalho, mas foi pra Inglaterra. A cantora Céu apresentou um disco melhor que o de estréia, e Lucas Santtana mostrou por que é um dos artistas mais inteligentes dessa geração com “Sem Nostalgia”. Teve novo (e sempre bom) disco do Cidadão Instigado, Fernando Catatau é foda.

Wado também mandou muito bem em seu “Atlântico Negro”. E teve até meu “amigo” Benito Di Paula, sem falar no DJ Dolores (responsável por um dos melhores discos esse ano, mas que, na verdade, é de 2008). Enfim, Recife é demais. Tem algo na fumaça de lá, decididamente.

Os Gringos

Se Jay-Z é o “patrão” da atualidade, Mos Def é o operário revoltado da indústria fonográfica. Os discos que os dois lançaram mostram o rap norte-americano dividido claramente entre alguém que faz o pop certinho para agradar gregos e troianos e outro produzindo um discurso político, pesado e sem papas na língua. Mos Def é hoje um dos maiores artistas da atualidade, “o homi” mais rock’n’roll da música. Tão importante para a música negra quanto Marvin Gaye.

Na produção não me lembro (nesse ano) de alguém que fez tantos trabalhos e tão bons quanto J.Period. O produtor e DJ foi responsável pelas melhores mixtapes e pelos melhores projetos, destaque para sua parceria com K’naan (projeto The Messengers) e com a cantora “Power África” Nneka (mixtape “The Madness – Onye-Ala”). Essa chegou bem no

finalzinho do ano e valeu a pena.

Bob Dylan lançou um disco de Natal, que nem é nada demais, mas é Bob Dylan, e Dylan é Deus. 50 anos de Keroauc, salve a beat generation!.

Kanye West chamou a atenção subindo no palco do VMA e questionando a premiação de Taylor Smift. Convenhamos que foi a única atitude “roquinroll” desse ano de que me lembro.

Talib Kweli foi outro que não parou em 2009, seu melhor projeto foi o Idle Warship. Fodaça a parceria entre o MC e as belas Res e Graph Nobel. Major Lazer (aka Diplo) fez um dos melhores discos dessa safra, vai do funk carioca ao dubstep rapidinho. O GL comemorou o Fela Kuti Day em grande estilo, merecidamente.

Até tentei ouvir mais coisas, como Animal Collective e Dirty Project, mas todo mundo vai falar tanto desses discos que deixei pra lá. Os fãs que me perdoem, mas não achei nada demais. Aliás, o rock decididamente morreu, pelo menos nesse formato que conhecemos. Essas bandas, por exemplo, são tão certinhas que dão até sono. Mas como diria

meu pai, gosto não se discute, se lamenta.

As mulheres deram as cartas no pop, ainda bem, pois Beyoncé, Lady Gaga e Taylor Smift apareceram em todas as premiações. Rihanna lançou seu disco de transição, Lily Allen veio no Brasil, arrebentou no show e ainda lançou um belo disco. Faltou só o disco novo da Amy Winehouse.

Shows

Não vi tantos shows assim, mas dos que fui e fotografei, o Radiohead, disparado, deu um show perfeito. Além de Mos Def. É absurdo como o cara é cuidadoso mesmo na simplicidade de seu trabalho. Mesmo grau de importância nesse ano. Houve outras boas performances, Flora Matos Vs Stereodubs, Instituto e convidados, Sombra e Banda Projeto Nave, e por aí vai. O Festival Dialeto foi um evento que chamou a atenção por reunir os principais nomes da atualidade do rap. Organizando, pode-se desorganizar, já dizia o profeta. Pra terminar, a notícia de que a dona da pensão, ahh, deliciosa, Beyoncé vem para o Brasil.

Que venha 2010.

Feliz ano novo com muito groove a todos que apareceram por aqui.

Blakroc Project

17 Nov

Vodpod videos no longer available.

Dia 27 de novembro chega oficialmente o disco The Blakroc Project. O projeto tem como base o Black Keys tocando e convidando nomes como Mos Def (o homi), Rza, Pharoahe Monch, Raekwon, Jim Jones, Q-Tip, Billy Danze e Nikki Wray fazendo suas artes.

Na minha humilde opinião, depois da passagem do Radiohead. Mos Def é o show mais aguardado do ano.

A faixa esfumaçada “Ain’t Nothing Like You (Hoochie Coo)” já está na rede por aqui.

Mos Def – The Ecstatic

5 Jun
Dante Terrell Smith

Dante Terrell Smith

Quando o Radiohead veio para o Brasil todo guia da semana disse que era o investimento mais seguro de se fazer. Era grana gasta com a certeza de que o retorno viria. Essa é exatamente a mesma sensação que se tem quando se começa ouvir “The Ecstatic” (O Extático) o novo de Mos Def.

Extático (com x mesmo, não confundir com estático) também significa estar em estado de êxtase, e parece que hoje não existem tantos artistas que valha ouvir e parar para ouvir tudo com calma, não é todo mundo que tem tanta coisa para falar, Mos Def (Dante Terrell Smith) tem e sabe como. Seu novo disco tem até uma faixa onde o rapper canta em espanhol e mostra que não existe diferença de língua para a qualidade. Mas alguém ainda pensa assim?

Sobre “The Ecstatic”. Bem, canções como a ótima “Quiet Dog Bite Hard”, mostra porque o investimento é certeiro, essa é fácil uma das melhores do ano. Bom ver que mesmo em um período onde a política está tranquila nos Estado Unidos ainda tem gente como Mos Def que briga por justiça em todos os segmentos da sociedade. Essa faixa chegou a circular pelos blogs de rap da gringa. “No Hay Nada Mas” é quando manda sua rima em espanhol. Engraçado que seu estilo ainda é forte, mas seu sotaque é brasileiro. Pode ser que isso venha do fato de suas bases serem ligadas diretamente ao Brasil. Analisando de outro ponto de vista é o seu apoio ao preconceito que rola ainda lá fora contra os Mexicanos, o homem não dá ponto sem nó.

“Revelations” é uma produção sinistra de Madlib, impressionante como a base casa com perfeição na musicalidade do rapper. Provavelmente sua experiência com o cinema ajudou ele a desenvolver ainda mais sua versatilidade vocal.  “Roses” com participação na medida de Georgia Anne Muldrow, é outro bom momento. Curioso que assim como Q-Tip teve o cuidado de colocar um nome feminino como Amanda Diva no seu disco, Mos Def também viu as possibilidades de colocar um novo nome no mercado.

Dante Terrel ainda faz menção honrosa a outro bom disco de 2009 “Born Like This” de MF Domm. A faixa “Auditiorium” com  participação de Slick Rick mostra isso. Grava com o parceiro Talib Kweli, “History”, é uma homenagem póstuma a J-Dilla. Fecha com sotaque brasileiro e a já falada de monte por aqui, “Casa Bey”.

Realmente Mos Def ainda tem algo pra dizer, mas não fica falando isso na sua música, ele não precisa disso. Quem tem algo a dizer não fica falando que tem.

Candidato a disco do ano. Boogie Man!!

Radiohead

22 Mar

radiohead01

Sensacional

Outras aqui.

Kraftwerk

22 Mar

kraftwerk-02

Como sempre um bom show, tem mais uma aqui.

Radiohead já já

Radio 420

21 Mar

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Kutiman – This is what it became

Jay-Z/Studio One – Dirt Off Your Shoulder

Radiohead – Paranoid Android

Radiodread (Easy Star All Star) – Paranoid Android (com Kirsty Rock)

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